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Muitos são os caminhos que de nós partem, dos nossos mananciais explícitos ou dissimulados, para variados rumos, descendo ou subindo
ladeiras,em demanda de indistintos pontos cardeais e colaterais,
quando a nós chegam os caminhos sorrateiros e efêmeros.
Sim, um caminho será sempre uma expectativa de partida e uma
incerteza de chegada,ou melhor pensando, a certeza da imobilidade.
Pousa-se o pé no traço do caminho, por mais indistinto que seja este, e pergunta-se: Para onde vai, que paisagens, cenas e cenários promete? Que assaltos mortais e que amores vibrantes ele urde? Que pessoas, casas e ruas mostrará ? Que outros caminhos cruzará e o que o espera do outro lado e na outra ponta, quem lá esfalfado chega. Bem sei, já sabemos, de certo sabeis que um caminho é mistério a desvendar. Até mesmo sobre o deserto ou em pradarias, trilhas ou caminhos reais, são cobras ondulantes, de muitos botes e negaças, de meandros ou retas extensões,quais rastros fugazes.
É andando que se abre caminho, mais resta saber onde levam os atuais caminhos e se nos será dada a régia gentileza de acompanhar o séquito no rumo do seu coração. Como fosso profundo cheio de desconfianças e auto-proteção?
Ou um ilusório – embora poético castelo de sonhos?
Um caminho será sempre um convite, mais que isso, chamado, instigação, duelo.
Caminhos e rios se parecem. Existem para desafiar estados de repouso, indiferença e significa que sua contínua fluência , a verificação de que as rotas, queira-se ou não ,
prosseguem para aventura humana - E assim há de ser, amém.
Um desses caminhos desemboca de chofre na rua do tempo perdido do seu coração que para se alcançar anda-se um palmo ou as vezes léguas, sai da curva fechada dos nossos conceitos íntimos para descobrir de súbito um lugar e um significado, como se não houvessem antigos sinais de lenta mudanças, como se a descoberta surgisse qual repentina clareira na mata fechada dos despropósitos e do desamor, e quando isso ocorre percebemos consternados que aquele caminho poucas novidades e pouco amor nos traz, que nele já despertamos, com nossa passagem pelo seu mal acamado pó. Os olhares curiosos, piedosos ou perversos do que posto na beira da estrada, apenas olham ou oferecem um cântaro de água fresca.
E assim vamos desprevenidos e continuamos precavidos, a pisar soleiras, bater timidamente em portas de corações endurecidos, a empurrar cancelas e manejar aldravas,
passamos por arames farpados de almas espinhentas.
Entramos em matas quase lacradas, ou quedamos incomodados e
acomodados na vala comum da convivência social.
É verdade, o caminho se faz enquanto andamos, e há o de chão afofados por folhas atapetadas, e há o solo pedregoso do caminho
que leva ao seu coração que em rasos campos estivestes .
Mais chegaremos a escolher de fato os nossos caminhos , a guiar nossos passos à caminho da felicidade - Ou esses caminhos são os únicos disponíveis segundo as nossas circunstâncias, ao arrepio, portanto das nossas âncias?
Parece mais que os caminhos, exceto as estradas reais para chegar a ti. É assim a minha cegueira crônica, penso em escolher ou distinguir
caminhos que em verdade me são impostos.
É parar à espera que a sombra que te envolve dissipe ou disperse , para que me envolva no seu manto anônimo, ou seguir ao encontro de quem ,de que e para que? Já muito andei, porque essa pergunta só a fazem os estressados de corpo e alma.
Caminhos que procuro, caminhos que procurei, caminhos que pensei Ter encontrado,
encontrado você, você a quem procurei, encontrei o amor?
Ou viverei na incessante busca de você (ou do amor)? Ou da paz que procuro descansada nos teus braços e com teus afagos e carinhos, ou até mesmo quando ages com severidade.
Gostaria de poder bater à porta do teu coração e ser acolhida sem imposições,
mais por puro querer.
Abbud
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