quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Somos o que pensamos. Tudo o que somos vem dos nossos pensamentos. Com nossos pensamentos fazemos o mundo ; sustentamos o mundo com o nosso diálogo interior.

Buda
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A PRESENÇA DE DEUS

Ontem vi Deus...

E fui tomado de um frenesi e de uma emoção arrebatadores. Todo o meu ser foi envolvido em uma aura de amor e luz. Um tremor que me invadiu por inteiro e que transportou-me para novas dimensões da existência...
Sua luz irradiava paz e esperança...

Os meus olhos não acreditavam no que viam...
O meu ser não conseguia apreender sua aparição. Sua generosidade em se mostrar para mim foi comovente...
Indescritível... como me situar diante de tanta grandiosidade?!

Sua paz fez de mim um novo homem... alguém novo para sorver os encantos dessa vida... o fascínio que senti levou-me ao encontro de seus anjos e querubins. Sua presença emanava uma espiritualidade nunca antes sentida. O seu ardor olorava como um renque de craveiros e rosas brancas. A Sua ternura era envolvente e suave... a doçura de sua aparição era algo inefável... indescritível...

Mas Deus não tinha as formas que os textos bíblicos falavam... não tinha longas barbas e tampouco cabelos compridos... nem o ar severo que as pinturas renascentistas exibiam... Suas formas eram muito diferentes. Deus era algo novo para a minha percepção.

Ele não tinha qualquer semelhança com as imagens vistas anteriormente... Ele se configurava em uma tela de pintura de Lucena... era uma árvore que flutuava no oceano... uma grande árvore cuja luz resplendia o branco da paz, o amarelo da esperança e o azul dos sonhos. Suas raízes eram fincadas no oceano... tudo era aquela arvore... tudo era aquele oceano.. e toda a humanidade era fulgurante na textura do céu que dominava a pintura.

Deus era aquela luz que saia do oceano e circundava a arvore e nos envolvia... aquela árvore não era nenhuma arvore especifica e era todas as arvores existentes. Nada pode ser comparado com suas formas... nada que possamos conceber pode atingir minimamente sua grandiosidade... aquela mistura de cores foi um grande presente do artista para nos configurar a presença de Deus... os sonhos de uma vida digna se espelhava naquelas cores, naqueles tons e semitons que nos envolviam e nos levavam para a unidade cósmica... Deus era o sonho do belo, da perfeição...

Da crença de que a nossa humanidade pode conviver com a deificação da arte em todo o seu esplendor... E se Deus foi generoso em se mostrar a mim é dizer que a sua presença foi dádiva que me fez mais elevado em minha condição humana... da emoção sentida que elevou-me para novos parâmetros de vida e amor...

Serra da Cantareira, numa noite de outono

Desconhecido

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