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Ontem vi Deus...
E fui tomado de um frenesi e de uma emoção arrebatadores.
Todo o meu ser foi envolvido em uma aura de amor e luz.
Um tremor que me invadiu por inteiro e que
transportou-me para novas dimensões da existência...
Sua luz irradiava paz e esperança...
Os meus olhos não acreditavam no que viam...
O meu ser não conseguia apreender sua aparição.
Sua generosidade em se mostrar para mim foi comovente...
Indescritível... como me situar diante de tanta grandiosidade?!
Sua paz fez de mim um novo homem... alguém novo para
sorver os encantos dessa vida... o fascínio que senti
levou-me ao encontro de seus anjos e querubins.
Sua presença emanava uma espiritualidade nunca antes sentida.
O seu ardor olorava como um renque de craveiros e rosas brancas.
A Sua ternura era envolvente e suave... a doçura de sua aparição
era algo inefável... indescritível...
Mas Deus não tinha as formas que os textos
bíblicos falavam... não tinha longas barbas e tampouco
cabelos compridos... nem o ar severo que as pinturas
renascentistas exibiam... Suas formas eram muito diferentes.
Deus era algo novo para a minha percepção.
Ele não tinha qualquer semelhança com as imagens
vistas anteriormente... Ele se configurava em uma
tela de pintura de Lucena... era uma árvore que flutuava
no oceano... uma grande árvore cuja luz resplendia o branco
da paz, o amarelo da esperança e o azul dos sonhos.
Suas raízes eram fincadas no oceano... tudo era aquela
arvore... tudo era aquele oceano.. e toda a humanidade
era fulgurante na textura do céu que dominava a pintura.
Deus era aquela luz que saia do oceano e circundava
a arvore e nos envolvia... aquela árvore não era
nenhuma arvore especifica e era todas as arvores existentes.
Nada pode ser comparado com suas formas... nada que possamos
conceber pode atingir minimamente sua grandiosidade... aquela
mistura de cores foi um grande presente do artista para nos
configurar a presença de Deus... os sonhos de uma vida
digna se espelhava naquelas cores, naqueles tons e
semitons que nos envolviam e nos levavam para a unidade
cósmica... Deus era o sonho do belo, da perfeição...
Da crença de que a nossa humanidade pode conviver
com a deificação da arte em todo o seu esplendor...
E se Deus foi generoso em se mostrar a mim é dizer
que a sua presença foi dádiva que me fez mais elevado
em minha condição humana... da emoção sentida que
elevou-me para novos parâmetros de vida e amor...
Serra da Cantareira, numa noite de outono
Desconhecido
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